Gatabaia

"Se procurarmos a verdadeira fonte da dança e nos virarmos para a Natureza verificamos que a dança do futuro é a dança do passado, a dança da eternidade, que sempre foi e será a mesma." Isadora Duncan (1878-1927)

14 julho 2006

Polly Wally


Como Félix. Filics. Félixada fiquei com o voyer de Gal Costa. Não parei o carro para dançá-lo não sei porquê. Acho que apenas por não ter pensado nisso. Ai era menina para fazê-lo sei-o bem mas apenas não foi assim. Lembro-me agora e agora também recinto-me na marginal ao som de voyer a dançá-lo mentalmente ... hã ... foi isso. Dancei sim mas não fisicamente. Mentalmente. Fisicamente fiquei cansada de fazer de vento. Sim esta noite fiz de vento. E o vento deu o seu giro da noite. Nada se lhe deparou ou diferiu de outras tantas giradas pelas mil oitocentas e vinte e cinco últimas noites. De redemoinho entre conchas cresceu a brisa e agora de aragem herdara ser vento de seu trôpego já avô ventania. Não o achava assim tão avô e pensava ser ronha mas dos mais velhos não se discorda nunca e ficara com a pesada herança assim vontade feita.

Não, nada de diferente nas duas, de três, horas que tinha para rodar becos frestas e planaltos. Mares ajoelhados aos espirros dos tempos. Com sorte até tinha espreitado sonos borgas sussurros de sonhos em insónias; até nas apaixonadas vigílias às tempestades. Jurou serem olhos aqueles pensamentos supersónicos, que roçara. Eram olhos, sim. Aquelas lágrimas tempestuosas que hesitou. Gotas maradas que lhe estragaram o giro; como aquela menina estúpida que dizia ao volante do pai bêbado que o vento lhe estragava o penteado. Era o vento era era mas é o pai com o intuito de atingir não sei que risco do conta-quilómetros da vida. É que se parasse estragava o giro que lhe fazia da alma um nocturno lavador do Mundo, tipo chopin, para o repositar no próximo giro que passava às mil oitocentas e vinte e seis noites em diante.


Voyeur,
Eu vou seguindo você, Na sua dança, na sua leveza; Estender Meus olhos sobre você, E assim vou descobrindo a beleza; Colher, No meu cantinho de terra, A flor que nasceu por você. Vem ver Meu coração bater por você. Arder No poro, no pelo, na pele De tudo que saia da sua presença; Doer, Se não responde ao recado, Se não me dá sua correspondência. Quem lê No meu mais íntimo plano Onde é que se esconde você, Vai ver Meu coração bater por você.Vem ver, vem ver Meu coração bater por você.Vem me dar carinho, Vem fazer lelê, Vem me dar um cafuné, Me fazer um chazinho. Corda que amarrou, cobra que picou, Sede não secou, alma desandou. E leia na minha mão O seu nome na linha da vida Que corre atrás de você. Vem ver, vem ver Meu coração bater por você. Voyer, Gal Costa

Talvez pelo sonho no vento da marginal em mim
Talvez na exacta curva Vida.

M'DançáNaMi

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