Gatabaia

"Se procurarmos a verdadeira fonte da dança e nos virarmos para a Natureza verificamos que a dança do futuro é a dança do passado, a dança da eternidade, que sempre foi e será a mesma." Isadora Duncan (1878-1927)

16 janeiro 2007

Este Irra



Que despropósito pensar em esteiras em pleno Janeiro a um paralelo onde é inverno. É mesmo esta ira que me assola e acalora que me faz apetecer sombras de bananeiras e esteiras, é mesmo esta ira, irra!

Grandeza é tudo o que aumenta na razão inversa … e torno-me indelicada, sei-o. Mas na brandura de uma conversa amena e de chacha, não me aguento mais que dez minutos.

O Socrates até transformará 2007 no ano da fiscalidade, as OPA’s até beneficiam os pobres (??!!?), uma fábrica de armas belga até ‘ameaça’ sair de Viana do Castelo (a lata), a gripe das aves até ressuscita no Vietname, até o português anda pela Rua do Saber Desaprendido nº. feito num 8, até … Até quando?

Até sempre que os Deuses devem estar loucos e fizeram de um drama um filme cómico.


“Toda a vez que chega o Verão, como desta vez, o quarto do madala Adalfredo costuma não aguentar muito calor. O sol do meio-dia, além de se derreter no zinco que protege a mezinha de cabeceira, penetra também por um enorme vazio, deixado por um zinco que sempre faltou. Adalfredo Faz de Tudo, de seu nome completo, chegara a ter o dinheiro para comprar aquele zinco, mas porque quisera apressar a inauguração da casa, optara em comprar bebidas no candongueiro. Agora a casa sofre de dores de coluna, e parece-se com ele quando encurvado com a bengala. É por causa desse sol do meio-dia, que Adalfredo estende-se horas e horas na sombra da bananeira. O calor aperta o passo, a sombra abandona-lhe, mas Adalfredo não sente a careca a transpirar. Como que há-de sentir? Os olhos roubaram a mente e foram ficar lá, no infinito. Cansado de ficar distante, a sua vista mergulhou-o na escuridão. E a mente começou a levá-lo para viajar na boleia dos tempos em que a sua careca ainda curtia na juventude. Lembra da Maria Das Dores, a única mulher que já adorou de verdade, aqueles rapoios de fazer inveja, aquelas tetas ainda verdes que saltavam a corda, bastava Das Dores andar depressa. Lembra do dia do lobolo que ficou com dívida de duas capulanas de chita. Lembra de tudo, desde o dia que viu Das Dores passar pela esquina do Muchina, onde ele vendia dobrada. Mas, Maria Das Dores perdeu-se no tempo. Perdeu-se na noite em que Macuácua, aquele stapor, com braçadeira castanha-amarela e nariz impinado, arrombou a sua porta e indicou-o aos milícias: - Ele é desempregado! “

Milh'ilhód

Mantenhas

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